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The countdown begins: A Amazon vem aí!
O WhatsApp mudou a forma como nós nos comunicamos no Brasil. Atualmente, esperar duas horas por um resposta parece desproporcional. A logística está passando por uma transformação semelhante.

*Por Rodrigo Mourad


 


O WhatsApp mudou a forma como nós nos comunicamos no Brasil. Atualmente, esperar duas horas por um resposta parece desproporcional. A logística está passando por uma transformação semelhante. Simplicidade e velocidade são o nome do jogo para as empresas que querem se destacar no last mile. Nos EUA, o volume de entregas deste tipo aumentou 50% nos últimos 18 meses e a proliferação de startups B2C que se dispõe a entregar qualquer coisa, a qualquer hora e em qualquer lugar é financiada em todos os lugares do mundo.


 


Após a aquisição recente por 14 bilhões de dólares do Whole Foods, a Amazon, já anunciou: seus membros prime irão receber suas compras em menos de duas horas. A rapidez do WhatsApp, que parecia inimaginável na logística, já é uma realidade. No Brasil, onde muitas empresas fornecem prazos de 3-5 dias e previsões de chegada de seus serviços entre 6 horas e 2 dias, o baque será grande. Eu não acredito que a infraestrutura seja a maior explicação deste gap, mas a capacidade de execução sim.


 


O Walmart está se preparando para brigar de frente nos Estados Unidos. Seu plano é lançar serviços de entregas em 800 de suas lojas em uma parceria muito interessante com o Uber e outras companhias de crowd sourced delivery. Essa iniciativa será capaz de atingir 40% dos domicílios americanos. O preço: U$10 por entrega, desde que a compra ultrapasse U$30. Boa cobertura, mas difícil concorrer com os U$12 mensais que o tornariam um membro prime da Amazon.


 


A Target, outro gigante do varejo físico, também está se posicionando. Junto com a Shipt, irá implementar ainda este ano o serviço de entrega a partir de quase mil lojas físicas.


A tecnologia


Como aconteceu em tantos outros mercados, as apostas da Amazon são baseadas em uma vantagem tecnológica que irá lhe prover mais eficiência e uma melhor oferta para seus clientes. Neste cenário, há 2 dimensões principais:




  1. Como o pedido será feito




  2. Como o pedido será entregue




Para dominar os pedidos, a Amazon continuará apostando forte na sua hegemonia digital. Nos EUA, 49% das compras de e commerce começam no site, enquanto apenas 36% em sites de busca como o Google.


 


Porém, o futuro da busca muito provavelmente estará no reconhecimento e processamento da voz e as apostas ali são grandes. Walmart e Target se uniram ao Google para explorar a compra através de seu assistente pessoal, presente em mais de 2 bilhões de acessos mensais nos sistemas operacionais Android. A Amazon segue forte com o Alexa tentando atacar o mesmo mercado. Na prática: "compre leite no Walmart" não será mais dito para o cônjuge e cada um dos gigantes aposta que será dito para uma inteligência artificial diferente.


 


Nas entregas, são outros competidores, mas o mercado também aposta no que começou como um e commerce para livros. O anúncio de testes com logística para terceiros nos EUA foi suficiente para enfraquecer rapidamente Fedex e UPS. Segue a performance de suas ações logo após o aviso:



O chamado "amazon effect", nome dado ao efeito causado pela empresa que está forçando os maiores e mais tradicionais varejistas e operadores logísticos da maior economia do mundo a se moverem e aumentarem rapidamente o investimento em tecnologias novas e exploratórias. Algo que em muitas casos deixa claro a falta de infraestrutura dessas empresas para projetos inovadores, também está desenvolvendo cada vez mais capacidades tecnológicas e deixando a logística e o serviço aos clientes finais cada vez mais eficiente.


 


Ainda há novas iniciativas da gigante que podem acelerar muito essa disrupção, como o aumento da legalização de seus drones ou suas apostas no Treasure Truck, iniciativa em que a empresa seleciona um produto "necessário" todo dia, avisa os clientes e entrega para quem tiver interesse.


 


No Brasil


No Brasil, a Amazon seguiu um modelo vitorioso, começou vendendo livros. Neste último ano, já conseguiu subir seu market share de 4% para 10% e criar o serviço mais eficiente na visão do cliente, pois ao contrário de seus concorrentes mantêm estoque, conseguindo ter maior assertividade nos prazos de entrega e deixando as gráficas mais felizes. Seus principais competidores, enviam os pedidos para as gráficas após o cliente finalizar a compra.


 


Agora, a empresa começa a apostar em outros produtos e só o anúncio provocou uma queda de 1 bilhão de dólares do Mercado Livre na Bolsa.


A B2W por exemplo, que já obteve 55% do Market Share do e commerce brasileiro, entregou em 2016 seu sexto prejuízo anual consecutivo e seu novo recorde: - 485 milhões de reais. Agora, com apenas 20% do mercado, sua posição está bastante desprivilegiada. A Via Varejo, com marcas populares como Casas Bahia, Ponto Frio e Extra, recuou 16,3% no último ano.


 


A Cobli, startup que aumenta a eficiência da logística na América do Sul, está feliz de ver o gigante vindo ao Brasil. Para nós, é claro que quem irá ganhar no final será o consumidor final. Cada vez mais clientes nossos estão mais interessados em desenvolver melhor seus sistemas de roteirização, previsão de chegada e comunicação com o cliente para estarem na vanguarda de suas indústrias, antes da competição aumentar. É uma pena que precisamos de um empurrão de fora para começar a andar, mas o mercado irá se desenvolver muito rapidamente este ano e provavelmente para sempre. Esperar duas horas, realmente parece não fazer sentido.


 


Fontes


https://www.freightwaves.com/news/walmart-target-kroger-and-google-vying-for-amazons-space-in-supply-chain


https://canaltech.com.br/negocios/amazon-no-brasil-o-mercado-vai-ter-que-mudar-na-marra-sua-loja-esta-preparada-102312/


https://exame.abril.com.br/revista-exame/agora-sim-a-amazon-podera-dizer-que-chegou-ao-brasil/


https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-10-05/amazon-is-said-to-test-own-delivery-service-to-rival-fedex-ups


https://www.amazon.com/b?ie=UTF8&node=15020057011


 


*Rodrigo Mourad é sócio da Cobli, startup especializada em controle de frotas, telemetria e roteirização

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Olho Magico
Poderia começar este artigo listando um bom número de companhias que eram líderes em seus segmentos de atuação, mas por não acompanharem as expectativas e mudanças da sociedade, simplesmente deixaram de existir. Afinal, de música e filmes, por exemplo, as pessoas sempre vão gostar.
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Foto Materia
O Brasil passa por grandes problemas políticos, econômicos e sociais, como nunca se viu em toda sua história.
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