Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Vereador de primeiro mandato é eleito prefeito de Ivinhema e desbanca hegemonia de três décadas da “Família Câmara”

Nicanor Coelho – Editor-chefe

======================

O vereador de primeiro mandato, Juliano Barros Donato, o “Juliano Ferro” foi eleito prefeito de Ivinhema no último dia 15 de novembro e desbancou a hegemonia de três décadas da Família Câmara na política local.

Juliano terá como vice-prefeita a professora Ângela Casarotti, esposa do ex-prefeito cassado José Antônio Cardoso, antigo adversário dos “Câmara”.

O desejo de mudança demonstrado pelos eleitores nas urnas “varreu” do cenário político local a família que pretendia ficar mais quatro anos no comando da prefeitura. A candidatura de Rogério Câmara, fragilizada como tanto tempo da família no poder, acabou sucumbindo ante a força do adversário Juliano.

A vitória de Juliano Ferro pode ser considerada uma vitória pessoal do ex-prefeito José Antônio Cardoso, que sempre nutriu o desejo de voltar a administrar o município, porém por estar inelegível, indicou sua mulher como candidata a vice de Juliano Ferro.

Para entender a vitória de Ferro é interessante conhecer um pouco da história política de Ivinhema nos últimos trinta anos. Em 15 de novembro de 1988, o servidor público Nelito Câmara foi eleito prefeito de Ivinhema pelo PMDB.

Lá se vão 32 anos na história política do município sob o comando da “Família Câmara”. Em apenas dois dos quatro conturbados anos da política local, entre 2000 e 2004, os Câmara estiveram fora do poder.

Nelito Câmara falecido em 2004 começou a vida pública em 1983 como secretário-geral da Prefeitura de Ivinhema quando quem detinha este cargo poderia ser considerado como um “primeiro-ministro”. Tanto que Nelito, seis anos depois se elegeu prefeito. Como não havia direito à reeleição o patriarca dos Câmara foi o responsável pela eleição do médico Antônio de Pádua Diogo, já falecido, para lhe suceder, também pelo PMDB, em 1992.

Quatro anos depois, Luiz Saraiva Vieira derrota Zé Pieretti, cunhado de Nelito e retoma a Prefeitura que havia deixado em dezembro de 1988 para seu então secretário-geral. O que seria um “mar de rosas” no período de 1997 a 2000 transformou-se no período mais conturbado da história politica ivinhemense nos quatro anos seguintes.

Saraiva ficou menos de dois anos no cargo e foi cassado por improbidade administrativa. Em seu lugar assumiu o vice-prefeito José Antônio Cardoso que também foi catapultado do cargo sendo reeleito em 2000 e cassado em 2002.

Até que fosse preparada uma nova eleição o vereador Agostinho Militão, então presidente da Câmara ocupou o cargo por poucos meses até que o agricultor Neri Kuhnen do PMDB e apoiado por Nelito Câmara fosse eleito e assumisse o “mandato tampão”.

Pois bem, Neri Kuhnen rompe com seu antigo burgomestre que já na condição de deputado estadual lança em 2004, seu filho, o agrônomo Renato Pieretti Câmara para disputar a Prefeitura. Assim o Clã consegue continuar no poder municipal. O adversário de Renato foi nada mais nada menos que ex-aliado Neri Kuhnen.

Quatro anos, em 2008, depois Renato é reeleito numa grande coalização de partidos que formou uma chapa única em torno do seu segundo mandato. Em 2012 foi candidato Eder Uilson França Lima, o Tuta, o ungido e sacramentado por Renato Câmara, representante mor da oligarquia que domina a política ivinhemense há mais de trinta anos.

Tuta, representante dos Câmara, eleito em 2012 e depois reeleito em 2016 teve como vice-prefeita nestes oito anos Genilda Pieretti Câmara, cunhada de Nelito e tia de Renato considerada o álter ego do sobrinho.

Renato, depois de mudar o domicílio eleitoral e perder uma eleição para prefeito de Dourados em 2016 se firmou como deputado estadual.

Scroll Up